11 de dezembro de 2018

A internet decidiu coletivamente hog minha visão a todo o tempo. I'm fighting back and you should too



De forma um tanto curiosa, o desenvolvimento e streamlining das plataformas de publicação de vídeo na internet aparentemente foi concomitante com o interesse exclusivo das audiências por vídeos. Não áudio, jamais textos; apenas, tão somente, vídeo. Parabéns ao Empreendimento Humano por tão rapidamente captar o desejo exclusivo da sociedade de nunca mais consumir nada em formato não-audiovisual.

O famoso pivot to video, propalado pelo Facebook, que agora recebe processo dos descamisados que antes focavam em outras mídias, sempre foi baseado numa farsa. Que teria sido percebida facilmente se a internet, como os demais movimentos coletivos humanos, não funcionasse à base de histerias e passos em manada.

Vídeos são como um bebê que chora e precisa de atenção imediata. São, efetivamente, a mídia mais heavy handed. São consumidos em pedaços grandes, que frequentemente não podem ser repartidos. Têm um throughline específico e um pacing que requer que sejam assistidos de uma só vez.

Compare com textos, livros, quadrinhos e, por que não?, música. Estas são mídias mais suaves. Elas não requerem 100% da sua atenção a todo momento. Podem ser consumidos, geralmente, em nacos menores. Podem ser deixados de lado sem grandes consequências e retomados sem causar maiores danos. Recompensam a atenção não-dividida e o investimento ininterrupto, mas não punem pelo não-compliance.

Vídeo, por outro lado, tem um piso rígido para a atenção requerida. Assim, as empresas fazem vídeos, com produções cristalinas, aumentam seus custos e não alcançam o público. Como?

Perceba que a expansão de "vídeos" efetivamente se deu não com conteúdo que se beneficia da visualidade. Podcasts, vídeos "analíticos", reviews, streams de videogame. O conteúdo predominante do YouTube e toda a base do Twitch é de conteúdos de baixa demanda -- grande parte dos quais poderia ser facilmente traduzido em texto. É como se, coletivamente, tivéssemos só agora descoberto a fórmula do sucesso de Big Bang Theory -- o fato de que a maioria das pessoas deixa a TV ligada em um episódio sem prestar completa atenção. Porque é possível entender um episódio nesses termos.

Anos atrás, na histeria pré-vídeo, com áudio no formato podcast, Welcome to Night Vale ganhou notoriedade. Li os scripts, achei interessante, por vezes excepcionalmente clever. Decidi ouvir o podcast. A cadência não me desceu. Não conseguia escutar a voz do narrador. Desisti. Mas o texto tinha apelo. Eu poderia continuar a consumir o podcast em seu formato legado, apesar da insistência da internet.

E se o portal de notícias decidiu que eu posso gastar 8 minutos assistindo a um vídeo em vez de publicar textualmente a informação, eu casualmente declino e aperto o pause.

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